O texto nos remete a uma reflexão que perdura por mais de dois séculos, sendo um embate político e epistemológico entre os gestualistas e os oralistas, destacando-se as discussões e ações desenvolvidas em prol da educação das pessoas com surdez, onde a escola é responsabilizada pelo sucesso ou pelo fracasso escolar baseando-se na adoção de suas práticas pedagógicas específicas.
Ficando as discussões focadas na aceitação de uma língua ou de outra, não respeitando e valorizando o potencial individual e coletivo desenvolvido da pessoa com surdez, ficando secundarizadas e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem parte, sendo relegadas a uma condição excludente ou a uma minoria.
É sabido que, a nova política de educação no Brasil tem direcionado práticas que possibilitem superar a visão centrada de homem, sociedade, cultura e linguagem de forma fragmentária, certamente, não só neste momento histórico como um modismo, mas que se consolidará numa perspectiva de inclusão de todos, com um olhar especial para as pessoas com deficiência.
Sendo assim, uma nova política de Educação Especial na perspectiva inclusiva, principalmente para pessoas com surdez, tornando-se promissora no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais. Ainda por mais que as políticas estejam definidas, muitas questões e desafios ainda estão para serem discutidos, muitas propostas, principalmente no espaço escolar, precisando rever algumas práticas de ensino e aprendizagem na escola comum pública, bem como na rede privada, que apresentem caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez.
Os autores do texto acreditam na nova Política Nacional de Educação Especial, uma perspectiva inclusiva, não vêem a pessoa com surdez um deficiente, pois não o é, mas tem consciência da perda sensorial auditiva, possuindo surdez, dificultando biologicamente a função perceptiva. Acreditam em sua potencialidade enquanto ser humano biológico e de mente, capaz de desenvolver outros processos perceptuais, como ser de consciência, pensamento e linguagem.
Por fim, argumentam que as propostas estão na contramão da perspectiva inclusiva, por provocar dicotomizações que separam as pessoas com surdez das pessoas ouvintes, negligenciando o potencial e a capacidade notórias e visíveis que elas possuem, devendo-se romper com o embate gestualistas e oralistas, pois é prejudicial ao desenvolvimento dessas pessoas na instituição escolar, quando canaliza a atenção dos profissionais da escola para o problema de língua em si.
Ainda os autores nos instiga que, o problema da educacão das pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado nessa ou naquela língua, como ficou até agora, como se uma língua bastasse para aprender, se assim fosse as pessoas ouvintes não teriam problemas de aproveitamento escolar, já que entram na escola com uma língua oral desenvolvida. Também, a aquisição da língua de sinais, não é garantia de uma aprendizagem significativa. mas deve levar-nos a compreender que o foco do fracasso escolar não está só nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas.
Para Damázio (2005), alguns fatores contribuem para repetência e a evasão, tendo como resultado o fracasso escolar. Esses fatores envolvem as práticas sugeridas como inclusiva, tais como:
- Exigir que o aluno surdo aprenda a LP ao mesmo tempo em que os alunos ouvintes;
- Ter o intérprete de Libras só em sala de aula comum, não garantindo a aprendizagem;
- Reforçar dependência do aluno quando é oferecido um intérprete fixo em sala de aula;
- Oferecer sala de recurso no contra turno como reforço e apoio, substituindo a sala de aula comum;
- O ambiente lingüístico não ser favorável ao aprendizado das duas línguas;
- Intérprete de Libras assumindo o papel do professor do AEE PS e da sala de aula comum, também como se fosse professor de conteúdo curricular, não sendo habilitado para tal;
- Impor o uso exclusivo da Libra, negando o direito de aprender o português escrito;
- Só os alunos com surdez na escola, ter o intérprete, o instrutor e o professor regente, causando um caos pedagógico no desenvolvimento desses alunos;
- Professores da sala de aula comum desenvolver conteúdos sem saber Libras, prejudicando a aprendizagem das duas línguas pela PS, ocorrendo o bimodalismo e/ou português sinalizado;
- Escola exigir do professor da classe comum o papel do professor do AEE PS, dificultando a aceitação desses alunos no ambiente da sala de aula comum;
- Professor do AEE PS, não qualificação para atuar no ensino das duas línguas.
Assim, o referido autor propõe aos profissionais de AEE PS, três momentos didático-pedagógico, sendo eles: AEE em Libras; AEE para o ensino da Língua Portuguesa e AEE para o ensino de Libras.
Em síntese, o atendimento para a aprendizagem de Libras enriquece a aprendizagem dos alunos com surdez, porém esse atendimento exige uma organização metodológica e didática e especializada, devendo esse professor ser qualificado para realizar o referido atendimento.
Referência Bibliográfica:
DAMÁZIO, Mirlene F. Macedo e FERREIRA, Josimário P. Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção. In : Inclusão: Revista da Educação Especial / Secretaria de Educação Especial. v. 5, n. 1 (jan/jul) - Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2010. p. 46 – 49.
Nenhum comentário:
Postar um comentário